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domingo, 17 de agosto de 2008

Fora da civilização

A estrada é rodeada por uma parte preservada de Floresta Atlântica. O sol é encoberto pelas árvores e desponta em raios através da folhagem. É possível ver esquilos, escutar macacos, aves variadas. O som é dos bichos, do vento e das árvores. A vista que se tem é de montanhas encobertas pela mata. Só bem distante, ao fundo, se vê luzes de uma cidade. A dita civilização fica longe desse paraíso natural, apesar de estar bem ao lado. Se acharem que não estou falando de São Paulo desta vez, estão muito enganados. Esse universo fica bem próximo, ao norte da capital paulista, e chama-se Serra da Cantareira.

A maior floresta urbana nativa do mundo abriga o Parque Estadual da Serra da Cantareira, com oito mil alqueires - o equivalente a oito mil campos de futebol. Existem três núcleos abertos para visitação. O Núcleo Pedra Grande - o primeiro aberto ao público (1989) com três trilhas: das Figueiras - com 1.200m de percurso variando de suave à íngreme, da Bica - com 1.500 m de percurso suave e Trilha da Pedra Grande - com 9.500 metros. O local possui ainda, diversos condomínios de alto padrão. A Serra é procurada por quem quer ficar longe do agito de São Paulo sem tirar totalmente o pé da correria paulistana. Opção de lazer também não falta. Bares e restaurantes convivem harmoniosamente com a diversidade natural.

Entre os locais mais tradicionais, que se tornam passagem obrigatória para os visitantes, paulistanos ou não, está o Velhão. Imponente e fascinante. Misterioso. São estas as primeiras impressões diante do conjunto arquitetônico que se ergue no nº 3000 da estrada de Santa Inês, no coração da Serra da Cantareira. Cercadas de verde, as construções são todas em material de demolição reciclado, num estilo que quase lembra cidadelas européias. Quase, porque há sempre um detalhe insólito. O Velhão surpreende pela beleza e também por sua história. Ali, Moacyr Archanjo dos Santos construiu seu sonho, iniciado em 1980.

O lugar começou com uma construção e venda de materiais de demolição. Hoje é o resultado da superação de muitos obstáculos, de uma boa dose de sacrifício, mas, sobretudo, de muito trabalho inspirado por Moacyr. O desbravador morreu em julho de 2000. No entanto, seu espírito permanece e tem, particularmente, na companheira Iracema e no filho Ubiratã, o Bira, seus principais continuadores.

Ao entrar no espaço, cercado por muros altos de tijolos, se encontra logo de cara um simpático café rústico, com uma escada em caracol. O lugar é inteiro inusitado, cheio de estátuas, chão de pedra e diversas lojinhas espalhadas pelo pátio que vendem desde antiguidades e artigos orientais, até roupas, jóias e artefatos de decoração. Depois das compras, é possível beber um chope e comer uma pizza ou experimentar uma canelinha - bebida de vodca envelhecida com canela, produzida na região – enquanto se joga sinuca. Passagem obrigatória é ainda o Restaurante As Véia, que ocupa um grande espaço nas dependências do Velhão. Ali, nada é comum: a construção do fogão à lenha, uma profusão de vasilhas de barro e panelões. Dá para comer de um tudo.

Próximo dali, no km 11 da Estrada Santa Inês, mais diversão: uma casa noturna. O clube Cally, famoso nos anos 90 por ser point de gente ilustre, voltou a funcionar na primeira quinzena de junho deste ano. A casa tem capacidade para 1.500 pessoas. Com 2.800 metros de terreno e 740 m2 de área construída, o Cally aposta em uma decoração sofisticada e na música eletrônica para voltar a ter a casa cheia. A antiga decoração inspirada em motivos mexicanos dá lugar a tendências européias com motivos espanhóis, no estilo de Antoni Gaudí, projetada por três artistas plásticos. A área externa tem uma tenda retrátil, onde fica uma das pistas de dança, que faz divisa com a reserva florestal.

Outro point, desta vez dos aventureiros, é o Bar do Pedrão - no km 6 da Estrada das Roseiras. O local criou fama na década de 80, quando começaram a chegar os trilheiros vindos de toda parte de São Paulo. O bar do Pedrão se transformou em plataforma de embarque e de "pouso" para os aventureiros da terra. Ponto de encontro invariável nas tardes de sábado e domingo. Hoje, dotado de infra-estrutura adequada para receber os clientes, o antigo armazém do “seu” Pedrão é um local sem frescuras e é aí que está o seu charme. Já faz parte da paisagem e da história da Serra da Cantareira.

Quiosques, chão de terra batida, muito verde em volta: é assim o Bar do Pedrão. O serviço é quase caseiro. Além dos quiosques, o Bar do Pedrão possui dois salões com lareira. Simples e aconchegantes. É um lugar de muitas faces: durante o dia, trilheiros; à noite, até por volta das 22 horas, famílias se reúnem para uma cerveja. Depois das onze, lota. E tem música ao vivo, em particular rock, reagge e pop, tudo dentro dos limites de som que as características da Serra exigem. No cardápio, pizza, calzonne, petiscos. Opções para quem quer jantar, ou só para ficar nos aperitivos. O Pedrão tem estacionamento próprio e os herdeiros do seu Pedro, que agora tocam o lugar, garantem: quem não é de bem não encontra espaço ali.

Saiba mais:
site do Velhão
site do Bar do Pedrão

segunda-feira, 14 de julho de 2008

São Paulo Som

..na Ipiranga com a São João, da terra da garoa, é sempre lindo andar..
..Santidade urbana, São Paulo é meu sertão..


Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Adoniran Barbosa, Inocentes, Itamar Assumpção e até Morcheeba. Esses são apenas alguns dos nomes da música que já cantaram São Paulo em suas letras. Sim, a banda inglesa Morcheeba tem em seu repertório uma música dedicada à metrópole paulistana. A cidade passou pela voz de muitos outros, como Tom Zé, com A Briga do Itália e do Hilton e São, São Paulo; Jackson do Pandeiro, com Nortista Quatrocentão; Engenheiros do Hawaii, com Sampa no Walkman; os Demônios da Garoa, com Isto é São Paulo - já lembrada em postagem anterior - entre tantos daqui e de outros cantos do País e do planeta. Imortalizada em Sampa, de Caetano Veloso, São Paulo dá samba, chorinho, rock, jazz... Sem esquecer, é claro, de Santa Rita de Sampa Lee, madrinha da cidade, que sempre está por aí cantando a paulicéia. Por essas e por outras é que na Ipiranga com a São João, da terra da garoa, é sempre lindo andar. Santidade urbana, São Paulo é meu sertão.





Set list:

Te Amo São Paulo – Tom Jobim
Dobrado de Amor a São Paulo – Vinícius de Moraes
No Morro da Casa Verde – Adoniran Barbosa
São Paulo – Inocentes
Venha até São Paulo – Itamar Assumpção
São Paulo – Morcheeba
A Briga do Itália e do Hilton – Tom Zé
São, São Paulo – Tom Zé
Nortista Quatrocentão – Jackson do Pandeiro
Sampa no Walkman – Engenheiros do Hawaii
Isto é São Paulo - Demônios da Garoa
Sampa – Caetano Veloso
As mina de Sampa – Rita Lee
São Paulo da Garoa – Tonico eTinoco
São Paulo, São Paulo – Premeditando o Breque
São Paulo SP – Fernanda Abreu
Aprendiz de Feiticeiro – Itamar Assumpção

sábado, 5 de julho de 2008

Padoca madrugada adentro!

A Bella dos Jardins

Padaria em São Paulo virou point da madrugada do paulistano baladeiro! Por conta disso, pipocam mais e mais pela cidade as padocas 24h. A febre começou há alguns anos. Lembro-me quando conheci a Bella Paulista, na região dos Jardins, em 2003. Uma das precursoras do gênero padoca, lanchonete, restaurante, buffet de sopas, loja de conveniência com gente descolada a qualquer hora do dia – e principalmente da noite. Os sanduíches são irresistíveis e extremamente fartos. Quem agüentar, na sobremesa ainda pode pedir o waffle, outra delícia que já virou tradição na casa. Só não se assuste com o tamanho do doce quando o garçom aparecer ao seu lado com o prato!

Rua Haddock Lobo, 354 – Cerqueira César – SP
Telefone/delivery: (11) 3214-3347 ou 3214-4520
http://www.bellapaulistaonline.com.br/


A arte da panificação

Outra já carimbada no roteiro dos baladeiros de plantão é a Galeria dos Pães. Em um espaço um tanto apertadinho, a turma das madrugadas se reveza para comer um dos pães de queijo mais badalados da cidade. Recheado com catupiry de verdade, o pão de queijo da Galeria dos Pães, também na região dos Jardins, é bem robusto para matar aquela fominha depois de uma pista de dança. Nem sempre, porém, ele está quentinho... Outro espaço, na parte superior da casa, oferece refeições completas. O restante da loja, bastante grande, é reservado para as mercadorias. Cada gôndola revela-se uma tentação e se perder nos corredores dos produtos é fácil. O difícil, depois de entrar lá, é ficar só no pão de queijo e não sair com as mãos carregadas de guloseimas.

Rua Estados Unidos 1645 – Jardim América – SP
Telefone: (11) 3064-5900
http://www.galeriadospaes.com.br/


De grão em grão

A Vila Madalena, região de intensa atividade noturna por conta de seus infindáveis bares, não poderia ficar fora do esquema balada + padoca = madrugada. O Villa Grano veio ocupar esse espaço. No mesmo contexto das anteriores, o Villa Grano também oferece um monte de iguarias gastronômicas nos corredores da padoca. O espaço da lanchonete é aconchegante, fazendo com que a estada no local dure mais que um café. O movimento na madrugada é intenso e o lugar tem estacionamento próprio e gratuito, um grande diferencial para quem quer fazer uma parada nas altas horas da noite em SP.


Rua Wisard, 500 – Vila Madalena – SP
Telefone/delivery: (11)3817-4695 ou 3031-6636
http://www.villagrano.com.br/


Tradição portuguesa

O Dona Deôla, na região de Higienópolis, também mantém uma fiel clientela madrugada adentro. Seu caminho para casa não passa por lá? Não tem problema. A padoca têm mais três unidades. A primeira a ser aberta fica na Avenida Pompéia. As outras duas estão no Alto da Lapa e na Granja Vianna. A família portuguesa se esmera nos quitutes e lanches também nas madrugadas. Mais com cara de padoca do que as outras, o bacana é comer o lanche no balcão bebendo um Mocca de Macadâmia depois de se acabar em alguma pista de dança da Paulicéia.




Rua Conselheiro Brotero, 1422 – Higienópolis - SP
Telefone: (11) 3826-4648
http://www.donadeola.com.br/

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Quem vai de metrô anda mais rápido

Estação Jardim São Paulo

Desde que voltei a trabalhar, alguns hábitos se incorporaram ao meu cotidiano. Um deles é o metrô, no qual permaneço por cerca de trinta minutos para percorrer o trecho entre as estações Jardim São Paulo e Sta Cruz todos os dias. Eu sou apenas uma. Uma entre as mais de dois milhões de pessoas que circulam pelo metrô de São Paulo diariamente. São cinco linhas - identificadas pelas cores azul, verde, vermelha, amarela e lilás - que cortam a cidade de leste a oeste e de norte a sul.

Mapa da Rede

Construir o Metrô da metrópole, na década de 60, foi um pouco como construir uma estrada enquanto se caminhava. Tudo era novo, não havia experiência passada. O então presidente do Metrô, o jovem engenheiro Plínio Assmann, declarava que nunca havia visto um metrô, mas que aceitava o desafio em nome de uma geração de profissionais. E foram estes profissionais, com os olhos voltados para o mundo que, com um diploma numa mão e um passaporte na outra, absorviam avidamente as tecnologias de ponta, que estavam transformando a engenharia de sistemas.

Entre tantas questões que se colocaram diante desta equipe de metroviários pioneiros, era preciso tomar decisões quanto aos problemas decorrentes da importação de know-how estrangeiro. Entre adquirir pacotes fechados delegando a fabricação e a montagem dos equipamentos e sistemas aos fornecedores e assumir o controle do processo, procurando absorver as tecnologias em implantação, foi escolhida a segunda opção.

Assim, empresas nacionais foram estimuladas a investir em tecnologia. A Villares, por exemplo, desenvolveu uma escada rolante veloz, que não existia no Brasil. Por outro lado, todas as empresas estrangeiras fornecedoras do Metrô obrigavam-se a transferir seu conhecimento, capacitando engenheiros e a indústria nacional a continuarem produzindo e mantendo todos os requisitos de qualidade. Reconhecidas instituições de pesquisa, como a UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), a FDTE (Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia), a POLI (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) passaram a participar do projeto, aprimorando e adaptando o know-how estrangeiro às necessidades brasileiras. Graças a esta filosofia, a Linha 1-Azul obteve um índice de nacionalização próximo dos 70%, enquanto na Linha 3-Vermelha esta cifra subiu para 95%.

História

A escolha do traçado, ligando os dois bairros afastados, Santana e Jabaquara, cortando a área central da cidade, foi devido a inexistência de alternativas de transporte coletivo ferroviário para os moradores e à preocupação de descongestionar o trânsito já caótico do centro de São Paulo.
Foi esta linha, a azul, que marcou o nascimento do Metrô de São Paulo e foi nela que se concentraram as disputas que exigiram as opções tecnológicas que iriam fazer do metrô paulistano um dos mais velozes e modernos do mundo.

Para o prefeito Faria Lima, eleito em meados da década de 60, a implantação do sistema metroviário era uma das principais metas do seu governo. Para iniciar os estudos, foi criado, em 1966, o GEM - Grupo Executivo Metropolitano, antecessor do Metrô de São Paulo, que surgiria a 24 de abril de 1968.

A década de 70 caracteriza-se por profundas revoluções na tecnologia dos metrôs (carros em aço inoxidável, sistema automático de controle e sinalização dos trens, terceiro trilho biometálico, tração elétrica dos carros, eletrônica de potência). Por outro lado, o projeto inicial da HMD não considerava o metrô como estruturador do transporte na cidade e não integrava as várias modalidades de transporte.

No dia 14 de setembro de 1974, teve início a operação comercial do metrô. O trecho percorrido foi Jabaquara-Vila Mariana. No dia 26 de setembro de 1975, a operação comercial foi estendida para toda a Linha 1-Azul, de Santana a Jabaquara.

Estava pronta a primeira linha de metrô paulistana, com 16,7 km de extensão e 20 estações. Transporte de alta capacidade, rápido e seguro, o Metrô começava a cumprir seu papel: melhorar a qualidade de vida do morador de São Paulo, poupando o seu tempo gasto com locomoção para que ele pudesse dedicar mais espaço ao lazer, ao trabalho e à vida pessoal.

Em 1998, foi entregue à população a Extensão Norte, que adicionou à Linha 1-Azul mais 3,5 km de vias e 3 novas estações: Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Tucuruvi. A partir de então, com seus 20,2 km de extensão, a Linha 1-Azul é utilizada por 325 milhões de passageiros/ano, passageiros que incorporaram à sua rotina as idas e vindas pelos subterrâneos do Metrô e que hoje não saberiam viver sem ele.

Expansão

Um plano de expansão, que teve início em 2007 e prevê o término em 2010, desenha um percurso ainda mais abrangente para o metrô. A modernização das linhas ferroviárias, assegurando qualidade de metrô para toda a rede sobre trilho e mais de 100 km de novas linhas e serviços metro-ferroviários, além de corredores de ônibus, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista e Campinas compõem a proposta. Mais de 100 novos trens serão incorporados à operação do Metrô e da CPTM.

Principal alternativa

Nesta minha trajetória diária, meu conceito sobre a importância desse e dos demais transportes públicos tem sido reiterada. Acredito que muito ainda deva ser feito. Mas o metrô deveria ser uma opção mais freqüente para o paulistano, estafado pelo trânsito caótico, mas que se recusa a deixar o carro na garagem. Ter automóvel em São Paulo é sinônimo de status, de ascensão social. Porém, cada vez mais, o trânsito da cidade pede ar, espaço e calma. O Metrô deve, e merece, ser a alternativa adotada pelo paulistano para desafogar a metrópole dos 3,5 milhões de carros que circulam diariamente em suas ruas.


Fonte fotos e informações - SITE DO METRÔ DE SP

sábado, 14 de junho de 2008

São Paulo em detalhes

Você sabia que próximo dos rios Tietê e Pinheiros tem um farol de navegação de 23 metros de altura? Conhece o bolão de papel da cidade ou a árvore de 13 troncos? Sabe que São Paulo ainda tem Maria Fumaça – em pleno funcionamento! – e tem também gado holandês? Pois é. A cidade dos prédios mais altos, do trânsito mais louco e da correria mais intensa pede para você parar por alguns minutos e conhecer os seus detalhes com suas histórias. O que segue é uma lista de dez curiosidades paulistanas que até mesmo os paulistanos desconhecem.

O bolão de papel

Esta bola de papel confunde-se com as outras 6.000 peças do acervo da Pinacoteca do Estado. Entre trabalhos de Cândido Portinari, Anita Malfati, Victor Brecheret, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, a bola branca com quase três palmos de diâmetro chama a atenção dos visitantes na recepção do prédio projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, em 1897. Trata-se de uma brincadeira das funcionárias Luciene de Jesus Souza e Nalva Janeiro. Em março de 2004, elas começaram a fazer uma bolinha com as margens adesivas que sobravam dos ingressos. A “obra de arte” já possui mais de 200.000 papéis grudados e não pára de crescer. O museu recebe cerca de 33.000 visitantes por mês.


O Córrego da Traição

Em uma de suas andanças rumo ao interior do Estado, o bandeirante Borba Gato teria sofrido um emboscada armada pelo próprio filho adotivo. A cilada aconteceu às margens de um córrego que desaguava no Rio Pinheiros, que a partir desse dia ficou conhecido como o Córrego da Traição. É ali, no ponto de encontro entre o córrego e o rio, que está localizada a Usina Elevatória da Traição, responsável pelo bombeamento de água do Pinheiros para a Represa Billings, na Zona Sul.



Trem das dez


Construída nos Estados Unidos, em 1922, esta autêntica Maria-Fumaça circula pelos bairros da Mooca e do Brás. Seus passageiros podem optar por três categorias de cabine. O vagão da segunda classe, feito de madeira, é o mais simples deles. O da primeira tem lustres de bronze e banheiro, enquanto a cabine especial conta com sofás e poltronas estofadas. O passeio de Maria-Fumaça sai do Memorial do Imigrante (tel. 11 6692-1866) e dura vinte minutos. Está disponível das 10h às 17h , aos domingos e feriados.


A maior mesquita do País

Cinco vezes por dia, a oração árabe é entoada. Em cima de tapetes, os fiéis rezam ajoelhados na espaçosa construção com capacidade para até 1.000 pessoas. Ali dentro nem parece que se está em plena avenida do Estado. Inaugurada em 1956, a mesquita Brasil é o maior templo muçulmano do País e uma das mais belas contribuições da colônia árabe à cidade.







O Farol dos rios Tietê e Pinheiros


Até a década de 30, a área onde hoje está o bairro do Jaguaré pertencia ao arquiteto Henrique Dumont Villares. Ao lotear suas terras, ele escolheu o ponto mais alto para a construção de um farol com 23 metros. A obra, concluída em 1942, serviria para orientar a navegação dos rios Pinheiros e Tietê, além de aviões que passassem por ali. Esse trecho dos rios, no entanto, nunca recebeu barcos. Em 1998, a Sociedade Amigos do Jaguaré fez uma campanha para revitalizar o local, tombado pelo Patrimônio Histórico. O farol fica na Rua Salatiel de Campos.




A árvore de Treze Troncos


Esta figueira deixa muitos visitantes do Parque do Ibirapuera intrigados. Afinal como uma árvore pode ter tantos troncos? Freqüentador da região desde criança, o jornaleiro Pedro Favalle Filho, 73 anos, costuma tiras as dúvidas dos visitantes. “Apesar de não parecer, as toras são na verdade galhos”, diz. Segundo ele, quando a árvore foi plantada, há cerca de sessenta anos, alguns de seus ramos foram colocados dentro de bambus ocos presos ao solo. Os galhos cresceram, criaram raízes e estouraram os bambus, ficando parecidos com troncos.





Arte em Paraisópolis

Sem nunca ter ouvido falar de Antonio Gaudí, o porteiro Estevão da Conceição construiu uma casa bem ao estilo do arquiteto catalão. Juntou pedras, pedaços de louça, ladrilhos e tampas de garrafa para decorar as paredes e as colunas retorcidas de sua residência. A impressão é de que se está embaixo de uma enorme árvore colorida. A invencionice fica na favela de Paraisópolis, uma das maiores de São Paulo.




Gado Holandês dentro da cidade?


Acredite: em andanças pela capital ainda é possível deparar com cenas bucólicas como a da foto ao lado. O flagrante foi feito em uma chácara onde se cria gado holandês no bairro de Parelheiros, no extremo sul do município. Com 100.000 habitantes, entre eles 1.000 índios de duas aldeias guaranis, a região conserva o jeitão de zona rural.





A Bíblia e seu museu

Com um acervo de 3.000 peças, foi inaugurado em 2003 o Museu da Bíblia. Entre as atrações está um exemplar Veneziano de 1583, em latim. Outra curiosidade é a primeira tradução para a língua portuguesa, em volume único, de 1819. A visita ao museu, que fica em Barueri, é grátis. Tel. (11) 4168-6225




As sirenes de fábrica na Paulista


Este conjunto de sirenes foi usado durante a I Guerra Mundial para avisar os parisienses sobre ataques aéreos. Em 1938, o jornalista Cásper Líbero trouxe-as de Paris para São Paulo. Instaladas em cima do prédio do jornal A Gazeta, no Centro, elas eram acionadas todas as vezes que uma nova edição ficava pronta.Na década de 60, quando a redação foi transferida para o número 900 da Avenida Paulista, as sirenes passaram a ocupar o 17º andar, onde hoje ficam a Rádio e TV Gazeta. O jornal foi extinto em 1979, mas, para manter a tradição, o barulho continuo a soar diariamente ao meio-dia e é ouvido em quase toda a extensão da avenida e nas imediações.

Idealização: agência age
Fotos e textos: revista Veja SP
Realização: Morumbi Shopping

sábado, 7 de junho de 2008

Centro das atenções paulistanas

Edifício Itália

Motivo de inspiração para escritores e poetas - desde a Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade até Caetano Veloso - que eternizou em Sampa as esquinas da rua Ipiranga e da Avenida São João, o Centro de São Paulo abriga todas as formas de diversão e já foi reduto da boemia paulistana. Seus edifícios também marcam sua trajetória: o Pátio do Colégio, marco da fundação da cidade, as construções do século XX como o Martinelli, erguido na década de 20, o Copan de Niemeyer, da década de 50 e o Edifício Itália, de 65.


O Centro tem uma importância fundamental para a evolução da cidade. É a região que confere à metrópole a sua marca, sua identidade. Após um período intenso de glamour e importância, sofreu uma fase de decadência e esquecimento, a partir do final dos anos 70. Mas, nos anos 90, novamente se acenderam os holofotes sobre a região que, atualmente, ganha cada vez mais vitalidade.


Uma das principais responsáveis é a Associação Viva o Centro, criada em 91. Iniciativa de diversos empresários, com o apoio de instituições públicas, o Viva o Centro tem profissionais preparados junto a especialistas em urbanismo para sua atuação em diversos projetos de melhoria. A associação comemora conquistas como a recuperação do Viaduto do Chá, do Viaduto Santa Efigênia e do Largo São Bento.

Viaduto Sta Efigênia


Em termos de comércio e serviço, o Centro de S. Paulo sempre foi muito vivo e pulsante, mas havia perdido o esplendor de um local para diversão. O trabalho do Viva o Centro ensina o caminho do concreto para a recuperação dessa parte tão importante da metrópole, preservando uma das características mais inerentes de um Centro Urbano: a diversidade - étnica, cultural, social e econômica - como a garantia de sua força e riqueza.

O poder público reconhece o trabalho de revitalização e importância, tanto que a sede da prefeitura mudou-se para o local em 2004. Hoje, morar no Centro da cidade voltou a ser um diferencial e sua vida cultural e de entretenimento também reconquistam a atenção e prestígio que a região realmente merece.


Conheça algumas das conquistas do Viva o Centro:

1.Complexo Cultural Júlio Prestes
2. Praça do Patriarca/Projeto do Corredor Cultural.
3. MASP Centro
4. Centro Cultural Banco do Brasil
5. Mosteiro e Largo de São Bento
6. Festivais Internacionais São Bento de Órgão
7. Restauro da Fonte dos Desejos
8. Posto Policial 24h no Viaduto do Chá/Janeiro de 2001
9. Centro Cultural dos Correios
10. Restauro do Viaduto do Chá
11. Restauro do Viaduto Santa Efigênia
12. Sesc Centro

O avesso Do Avesso


Saiba mais: Viva o Centro

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Quartas-feiras


"Que bobagem falar que é nas grandes ocasiões que se conhece os amigos! Nas grandes ocasiões é que não faltam amigos. Principalmente neste Brasil de coração mole e escorrendo. E a compaixão, a piedade, a pena se confundem com amizade. Por isso tenho horror das grandes ocasiões.
Prefiro as quartas-feiras."
Mário de Andrade


Envolvidos com a pressa, os compromissos inadiáveis, o trabalho insano. Esquecidos. Na correria de ontem, vejo pelo retrovisor tantos que ficam para trás. Desvio a atenção do espelho, que mostra o avesso do avesso da cidade e concentro-me no agora, acompanhada pelo trânsito lento a pedir um pouco mais de calma. A vida não pára. Eu também não. Momentos, histórias, conquistas, sabores. Experimento. Insistente de que o encontro é inevitável, o amor é possível e o amanhã deve ser melhor. E ele é. Nos retribui com outros momentos, histórias, conquistas e sabores. Estamos. Aqui é que encontramos as possibilidades para isso. Insistimos. E, em meio às grandes ocasiões, estão. Por mais que nos cosuma o cotidiano louco. Mesmo que não os vejamos sempre. Eles estão. Alguma coisa acontece quando se encontram. É paz. Apesar de toda a confusão, fluímos. Apresentam-se com uma certa deselegância. Discreta. Não há etiquetas fora das grandes ocasiões e eles podem ser. E são. Eles que mantém a rotatividade dos nossos dias, o recomeçar e a renovação. Sim. Nos trazem, em meio às tantas informações desta cidade, nossa serenidade. Nossa identidade, mais forte que o próprio lugar. Nosso pertencimento, mais certo que o chão das calçadas. Em passos e descompassos, nos mostram caminhos. Nossa completa tradução. Por isso, às grandes ocasiões, que pululam com a força da grana em meio a feia fumaça que sobe, respondo:

- Que bobagem! Prefiro as quartas-feiras.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Entre o sonho e a realidade, a ficção de Jorge Amado



Um telefonema mudou a rotina da última terça-feira, 25/03. Zulian avisara, logo pela manhã, que haveria uma leitura dos textos de Jorge Amado por escritores e artistas no Sesc Pinheiros às 20h. Entre eles, o moçambicano Mia Couto, o carioca Chico Buarque e o baiano Caetano Veloso. Os 500 ingressos disponíveis para a apresentação foram esgotados na primeira meia hora de distribuição há alguns dias. Liguei para o Sesc, contei sobre o projeto do Jungle e peguntei sobre a possibilidade de nosso credenciamento.

Mas, os lugares para a imprensa estavam excedidos. A assessora, muito cortesmente, ficou com meu telefone caso houvesse alguma desistência. Demos como perdido. Eis que, às 17h, o telefone toca e do outro lado da linha: “Clarissa, apesar da falta de lugares, vamos encaixar você e um fotógrafo na platéia”. A surpresa misturava-se com a alegria de participar dessa que seria uma noite de encantamento.

Quem deu o tom inicial foi Paloma Amado, filha do autor baiano. Em meio a seu discurso, Paloma lançou, nas palavras de seu pai, o questionamento sobre a grandeza do sonhar. O texto sugeria a reflexão de quanto o sonho, infinitamente maior que a realidade, é um dos bens mais preciosos do ser humano e dele não pode ser tirado. Diante da possibilidade de ouvir trechos de Jorge Amado naquela apresentação recheada de presenças tão ilustres, a realidade certamente aludia à concretização de sonhos e foi simples guiar-se por tal referência.

Causos de Jorge Amado

Chico Buarque apareceu no palco e o frenesi da platéia contrastou com sua habitual timidez. A noite seria agraciada ainda com “causos” vividos pelos narradores junto a Jorge Amado. “Parece que o conheço desde sempre”, afirmou o músico. Mas, foi por volta de 1976 que se deu o encontro de fato. “Eu esperava um vôo da Bahia para o Rio no aeroporto, quando escuto alguém chamar meu nome”. Era Jorge Amado perguntando se ele iria para o Rio. Diante da resposta afirmativa do músico, Chico conta que Jorge retrucou: "Então carrega esse embrulho para mim que tem alguém me esperando no aeroporto."

Uma sonora gargalhada ecoou na platéia do Sesc Pinheiros com o relato de Chico, que fez a leitura do trecho sobre a morte de Vadinho, abençoada por uma luta de todos os orixás da Bahia, na maravilhosa composição de Jorge Amado em “Dona Flor e seus Dois Maridos”.

Quem é ateu, e viu milagres como eu...

A narração de Caetano também reservou surpresas. O músico baiano, acompanhado pelo violão, deu início à sua apresentação com a música “É Doce Morrer no Mar”, de Dorival Caymmi e do próprio Jorge Amado. À seqüência da leitura de um trecho de “Mar Morto”, um erro na interpretação de “Milagres do Povo”, pelo próprio autor da música conferiu mais sabor à noite. Com a maestria que lhe é peculiar, Caetano transformou a falha em dádiva. “Isso foi Jorge”.

O compositor seguiu relembrando uma entrevista do Pasquim para Jorge Amado, da qual participou com uma das perguntas. Nela, Caetano questionou Jorge sobre sua relação com o Candomblé ser por religiosidade ou apenas como estudo social, ideológico e cultural. A resposta de Jorge Amado foi que não acreditava em nada, mas que tinha visto muitos milagres no Candomblé. "Milagres do povo brasileiro".

Salve Jorge

O escritor moçambicano Mia Couto fugiu ao script ao fazer uma homenagem a Jorge Amado com um texto próprio de arrancar arrepios e os mais longos aplausos da platéia. Nele, Couto ressaltou a influência marcante de Jorge Amado na cultura dos países africanos e destacou como o autor baiano proporcionou a aproximação dos povos do Brasil e da África. “Jorge não escrevia livros, ele escrevia um País. Era um Brasil todo entregue à África. De fato, era um Brasil que regressava à África”. Couto enfatizou ainda a proximidade do real com o imaginário nas obras de Jorge Amado. “Os personagens eram vizinhos não de um lugar, mas da própria vida. Gente pobre, gente com os nossos nomes, gente com a nossa raça”. A finalização da leitura veio em forma de oração: "Salve Jorge", concluiu.

A escritora e viúva de Jorge Amado, Zélia Gattai, confirmou a realidade na ficção do marido ao relatar como os personagens faziam parte do dia-a-dia da família. As conversas do casal na época em que o Jorge escrevia “Dona Flor e Seus Dois Maridos” eram permeadas por seus personagens. Em uma delas, a questão girava em torno dos trajes de Vadinho em sua volta ao romance, após sua morte. Zélia conta que foi deitar-se, enquanto Jorge continuou debruçado na máquina de escrever.

“Essa sua amiga revelou-se uma grande descarada”. Com essa afirmação, Zélia foi surpreendida por Jorge na manhã seguinte, segundo seu relato. Mostrando-se surpresa, ela perguntou ao marido a quem ele se referia. E contou que Jorge então disse: “Dona Flor encontrou-se com Vadinho nu. Ela deitou-se com ele e com o marido. E gostou!”.

Após a noite de ontem, com suas leituras, homenagens, depoimentos e interpretações, acredito ser possível perceber como a literatura ganha ainda mais a dimensão do sonhar descrito por Paloma Amado. Ao apresentar-se em nossa realidade, a engrandece. Esse é o poder da literatura e, particularmente aqui, de Jorge Amado. Nas palavras de Mia Couto, “...como um sonho que nunca antes pudéramos ter”.





Escute aqui trechos das apresentações de Chico Buarque e Caetano Veloso.

Texto: Clarissa Olivares
Fotos: Andrea Zulian

quarta-feira, 5 de março de 2008

Excêntrica São Paulo

Estou com uma pauta sobre religiões. Virá em breve. O objetivo é desvendar as crenças paulistanas para todo e qualquer tipo de fé. Tarefa trabalhosa. Eis que, navegando por esta teia de informações - mais complexa que qualquer metrópole - me deparo com o texto do link abaixo. E percebo que difícil mesmo é decifrar o enigma dos outdoors vermelhos que habitam a Marginal Tietê. Tive oportunidade de vê-los por diversas vezes e o questionamento é realmente inevitável. Mais uma peculiaridade paulistana. Muito bem narrada pelo autor. Por isso resolvi compartilhar o texto na íntegra com vocês. Vale a visita e alguns minutinhos de pausa na pressa cotidiana.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O melhor do pior

Oito e meia da manhã. O trânsito completamente congestionado antecipa o atraso no trabalho. Uma chuva fina corta o vidro do carro em um dia que terminará em uma tórrida tarde de sol. Este é um dos cenários mais marcantes para quem vive em São Paulo. Enfrentar congestionamentos, começar o dia com chuva e terminar torrando no sol. Ou vice-versa. Mas, sempre acompanhado do trânsito lento.



Nesses momentos é preciso uma calma transcendental para não protagonizar um dia de fúria. E é quando a criatividade entra em cena. Vale tudo para não estressar no congestionamento da cidade. Ler um livro, escutar muita música, ou até fazer tricô (sim, já ouvi gente contar que faz tricô no trânsito). E aí está mais uma das contradições desta metrópole louca. Enquanto São Paulo te impõe um ritmo acelerado, tanto de informações, quanto de atividades, te faz andar lento, muito lento, por suas vias de tráfego parado.

O filme A Via Láctea, de Lina Chamie, que esteve em cartaz por aqui em novembro do ano passado, tem como argumento justamente os intermináveis congestionamentos de São Paulo. Este corpo-a-corpo com a cidade foi levado à tela dividindo a cena com o protagonista do filme e suas lembranças de um relacionamento amoroso.

O paulistano, tão acostumado a não parar, se vê obrigado a isso. E o pensamento, nessas horas, é a única companhia. Mesmo rodeado de gente: Sozinho. Foi em uma dessas cenas que a personagem que aqui escreve se viu envolta em seus pensamentos enquanto a fila de carros mal andava. As oito e meia da manhã de uma infernal segunda-feira com uma chuva fina cortando o vidro do carro.

Eis que, nessas horas, tirar o melhor do pior é imperativo e dependendo do humor, isso acontece. O filme que passava em meu pensamento era justamente este projeto – o Welcome To The Jungle. Esta idéia surgiu em uma conversa entre duas amigas no balcão de uma casa noturna badalada de SP. Em menos de uma semana, já tínhamos o espaço para publicação – este blog – duas entrevistas de peso e muito mais idéias na cabeça para colocar em prática com a pressa que São Paulo impõe.

O que ganhou um ritmo frenético foi o nosso pensamento e em duas semanas de existência, o blog já tem projeto de site, com um layout e tudo o mais, pronto para estreiar. Mas, na prática, nada acontece tão rápido. Nem mesmo em São Paulo. A começar por seu trânsito. E foi nele que surgiu uma reformulação para a linguagem deste futuro site. Antecipo que mais que matérias e prestação de serviço sobre a cidade e seus personagens infindáveis, quem passar por aqui encontrará um olhar.

O olhar de quatro mulheres. Cada uma, a partir de sua história e vivências, terá este espaço para relatar as delícias e as dores de morar em uma cidade como São Paulo. Sugestões de lugares bacanas, bons filmes e peças - e também o pior da metrópole – estão no roteiro. Mas o relato será muito mais próximo do particular – indo na contramão da impessoalidade da gigante de concreto.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Conexão Rio-São Paulo dá samba

Gabriel Moura, João Suplicy e Alexandre Grooves com banda

Se Gabriel Moura e Alexandre Grooves se encontrassem na pressa que impera nas ruas da Paulicéia, talvez apenas se esbarrassem, sem saber que em comum têm experiências musicais riquíssimas. Para a nossa sorte, o encontro entre eles aconteceu nos palcos e o talento dos dois pode ser conferido todas as quartas-feiras no bar paulistano Na Mata Café, tradicional por revelar nomes de peso da nova MPB. Gabriel e Grooves recebem também convidados, como João Suplicy e o rapper Edu Negão, que estiveram por lá na última quarta (30/01). Encontros como esse garantem às noites das quartas paulistanas deliciosas Jam Sessions do melhor e mais atual da música brasileira.

Carioca, de família formada por músicos, Gabriel Moura tem como principal influência em seu trabalho o samba. O menino de Lins de Vasconcelos cresceu ouvindo os repiques das baterias praticamente no quintal de casa. “Eu estava no meio do samba feito na rua, do samba de raiz. Tinham duas escolas de samba próximas de onde eu morava no Rio. A Unidos do Cabuçu e a Lins Imperial”, conta. Por volta de 1990, Gabriel conheceu o ainda Jorge Mário, que viria se tornar mais tarde o Seu Jorge e com quem ainda tem uma grande amizade, fortalecida pelo Farofa Carioca, banda lançada pelos dois na década de 90.

Após dois anos dividindo os palcos, os músicos partiram para carreira solo e Gabriel voltou-se para o teatro, que já marcava sua trajetória antes mesmo do Farofa. A experiência com a dramaturgia é um pano de fundo na criação musical de Gabriel. Nele, imagens se criam como se uma história se formasse na mente de quem escuta suas músicas. Com essa influência e o toque de seu tio, o maestro Paulo Moura, Gabriel lança seu primeiro trabalho solo em 2006: "Brasis". Além do samba, o músico circula por diversos estilos brasileiros, como a gafieira da faixa “Mini-Saia” e o baião em “Tem Fila”. “Eu queria um trabalho bem brasileiro, partindo do samba de raiz”, explica.

O paulistano Alexandre Grooves também está em plena atividade com seu CD: “Amanhã Não Vou Trabalhar”, que traz participações de Maurício Manieri e Seu Jorge. Grooves integrou por sete anos a banda Grooveria. Em 2006, a vontade de vôos independentes fez ele partir para carreira solo. Com influência marcada da MPB, Grooves faz uma mescla entre o que há de mais tradicional da Música Brasileira com as novas tendências e destaca Gabriel Moura como uma das referências para seu trabalho. Nada melhor que vê-los juntos no palco. Mesmo para quem vai trabalhar no dia seguinte, conferir os diversos Brasis no Na Mata todas as quartas-feiras é imperdível. Dá samba. E dos bons.





(Texto e Fotos: Clarissa Olivares)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sem o samba no pé

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é". Dorival Caymmi

Não desanime se a folia que invade o País nos próximos dias não te encanta. Contrariando Caymmi, não curtir esse feriadão caindo no ziriguidum e no balacobaco, embalado pela bateria de uma escola de samba, ou no vuco vuco de alguma praia do litoral não faz de você um mau sujeito. Para quem escolhe ficar na capital paulista durante a festa e não curte um tisquindum há muitas opções para se divertir longe do sambódromo. O roteiro que segue prova isso e mostra o que acontece em São Paulo fora do circuito carnavalesco. Sem trânsito congestionado e sem filas, há ainda uma certa tranqüilidade para desfrutar as atrações da cidade.
Aproveite!

Casas Noturnas


  • Mr. Blues
    Inaugurada em 1990, o Mr. Blues já se transformou em uma parada obrigatória para quem curte o melhor do blues, rhythm and blues, soul e jazz. Para o carnaval, a casa preparou o Festival CarnaBlues, que acontece de 1 a 5 de fevereiro. Confira a programação completa, as bandas e as promoções no site do Mr. Blues (http://www.mrblues.com.br/).

  • CB Bar
    Inspirado nos diners americanos dos anos 50, o CB Bar está instalado em um amplo galpão da Barra Funda e oferece o melhor do electro-rock também para os dias de carnaval. Quem curte o estilo não pode deixar de fora a programação dos dias 31 de janeiro e 1 e 2 de fevereiro. Boa música é a principal garantia do bar para as datas com o Ladies First (Festa Electro-Rock, 31/01), a banda santista Bignitrons (http://www.myspace.com/bignitrons, 01/02) e os inclassificáveis Trovadores de Bordel (www.myspace.com/trovadoresdebordel, 02/02). Confira como participar da festa no site do CB Bar (http://www.cbbar.com.br/site/).

Cinema

Pouca fila, muita pipoca e bons filmes. Essa é a vantagem de quem escolhe as salas de cinema paulistanas nas datas do feriadão. Uma dica é a Cinemateca Brasileira, com o festival Cinemateca SP. Nas telas, filmes que tem por cenário a cidade de São Paulo, como A Via Láctea e Não Por acaso. Abaixo segue a programação completa para os dias carnavalescos.

  • 31.01 I QUINTA
    19h00 BATALHA – A GUERRA DO VINIL
    NO TRAÇO DO INVISÍVEL
    20h30 JARDIM ÂNGELA

  • 01.02 I SEXTA
    19h00 A VIA LÁCTEA
    21h00 NÃO POR ACASO

  • 02.02 I SÁBADO

    16h00 CURTA CINEMATECA
    18h00 TRANSE CONFIANTE – CONFRONTANDO A VIDA
    TYGER
    SINFONIA DO CAOS
    19h00 JARDIM ÂNGELA
    20h30 A VIA LÁCTEA

  • 03.02 I DOMINGO
    17h00 A VIA LÁCTEA
    19h00 NÃO POR ACASO
    21h00 BEM-VINDO A SÃO PAULO

  • 05.02 I TERÇA
    20h00 JARDIM ÂNGELA

CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próxima ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215) / 3512-6101
www.cinemateca.gov.br

Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Exibições em DVD com entrada franca

Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

Exposições (fonte: UOL)

  • MASP CAÇADORES DE SOMBRAS
    A exposição fotográfica reúne 92 imagens em que luz, cores e sombras são os recursos utilizados pelos 16 fotógrafos na criação e composição. Mario de Ayguavives, Sergio Belinchón, Tomy Ceballos, Begoña Montalbán e Concha Pérez são alguns deles. Mezanino do 1º subsolo - av. Paulista, 1.578, Bela Vista, região central, tel. 3251-5644. Ter., qua. e sex. a dom.: 11h às 17h (c/ permanência até às 18h). Qui.: 11h às 19h (c/ permanência até às 20h). Dia 25: 11h às 18h. Até 29/2. Ingr.: R$ 15 (grátis menores de dez e maiores de 60 anos. Ter.: grátis).
    Há mais três exposições no Masp: "A Arte do Mito", "Coleção Pirelli-Masp de Fotografia - 16ª Edição" e "O Convívio Social aos Olhos de Tatsumi Orimoto".

  • ITAÚ CULTURAL FUTURO DO PRESENTE
    A mostra, que celebra os 20 anos do Itaú Cultural, propõe o desafio de imaginar a arte nas próximas duas décadas, a partir de trabalhos de 17 artistas, entre eles, Paulo Bruscky, Lia Chaia, Marcelo Cidade e o coletivo Chelpa Ferro. Av. Paulista, 149, Bela Vista, região central, tel. 2168-1776. Ter. a sex.: 10h às 21h. Sáb., dom. e dia 25: 10h às 19h. Até 10/2. Estac. c/ manob. (R$ 8 a 1ª h mais R$ 2 p/ h adicional - convênio).

  • PAÇO DAS ARTES BRASIL: DESFOCOS ( O OLHO DE FORA)
    A coletiva de fotografias agrupa um número variado de interpretações do Brasil e dos brasileiros pelos olhos e lentes de artistas estrangeiros. Andy Warhol, David Byrne, Matthew Barney, Steve Miller, Marina Abramovic e Bruce Weber, entre outros, estão presentes. Av. da Universidade, 1, Butantã, região oeste, tel. 3814-4832. Ter. a sex.: 11h30 às 19h. Sáb., dom. e dia 25: 12h30 às 17h30. Até 13/4.

(Texto: Clarissa Olivares)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Em Família

Dois irmãos e duas carreiras solo de sucesso. Essas são algumas das afinidades de Supla e João Suplicy, que iniciam pela primeira vez uma parceria com turnê marcada para fevereiro nos Estados Unidos. O que garante a química no palco, entretanto, são justamente as diferenças. A irreverência de Supla e a sensibilidade de João formam uma equação bem-sucedida. Ponto para eles. Além de apresentarem boa música, mostram que a maturidade – pessoal e profissional – permite a preservação da identidade de cada um. O resultado é conferido na facilidade com que transitam pela excelência de Vinícius de Moraes ao punk rock de Billy Idol.

O Show “Brothers of Brazil” traz também no repertório músicas inéditas desta parceria, como "Samba" e "My Ballon". Supla e João mostraram seu novo trabalho neste domingo (27/01) na tradicional casa noturna de São Paulo, Mr. Blues. A presença de parentes e amigos deu o tom familiar da apresentação. Na platéia, o orgulho do senador Eduardo Suplicy era visível e garantiu ainda mais intimismo para o show. Mas, não se engane. Os irmãos prometem fazer barulho na terra do Tio Sam com uma receita saborosa que combina profissionalismo às diferentes influências musicais dos dois.

Faz parte dos planos a gravação em estúdio. Mas isso fica para depois da turnê internacional, com o show ainda mais encorpado. A maioria das letras é composta em inglês, embora muita música brasileira faça parte do repertório. "O importante é ser honesto com seu trabalho. Não importa em que idioma você o faz, é preciso sinceridade", destaca Supla. A diversidade cada vez mais marcante das grandes metrópoles pode ser mais um ingrediente para o sucesso. "Acredito que esse é um show que pode agradar a qualquer tribo", aposta João.

O show realmente contempla a característica de multiplicidade dos grandes centros urbanos ao misturar rock and roll e funk (o original, claro) com música brasileira, passando pelo samba e pelo maracatu até o romantismo de Roberto Carlos. Sim. Entre as músicas do repertório está "Como é Grande o Meu Amor Por Você", do Rei Roberto. O que acontece no palco é um verdadeiro mix de temperos brazucas e internacionais. "Não há uma classificação. Isso seria limitar o trabalho. O que acontece é uma junção de uma série de influências minhas e do João, que são diferentes", completa Supla.

Paralelo ao trabalho em parceria, João continua com os shows do seu último CD, "Love Me Tender", elaborado com músicas de Elvis Presley no ritmo da bossa nova. Supla apresenta-se também com seu último trabalho gravado, "Bossa Furiosa", no qual antecipa a parceria ao trazer uma participação de João no disco. O roqueiro adianta também que continua na telinha a partir deste ano, pelo SBT. Embora não tenha revelado detalhes sobre o acordo de trabalho, não descarta a possibilidade de aparecer novamente como apresentador de um programa de TV.

Serviço:
U.S TOUR Supla e João
02/02 - Fashion Week NY Geová Rodrigues
06/02 - Nublu NY (22h)
08/02 - Niagara NY (23h30)
10/02 - Continental NY (21h) *New date
15/02 - Catclub LA (21h)

(Texto e Foto: Clarissa Olivares)

sábado, 26 de janeiro de 2008

SAMPA CARA E CORAGEM

(Foto: Fábio Reginato)


Cidade de contrastes étnicos, financeiros, culturais..., São Paulo é marcada pelas diferenças. Seus prédios, suas atividades, seu cotidiano e moradores: pluralidade. Cidade de todas as raças, povos, de todas as cores... informação, dinheiro, emprego, trabalho. Desemprego, desigualdade, marginalidade... divergências! Cidade que pulsa em ritmo frenético e acelerado. Que restringe aos olhos, preocupados e ansiosos em acompanhá-la, momentos contemplativos, de descanso, de encontros e de concordância entre tantas informações.

São Paulo abriga centenas de histórias de diversos pontos do País, dos mais diferentes sonhos. Sucessos e fracassos. Vitórias e derrotas de quem nunca cansa de lutar. Lutas e batalhas de quem nunca cessa sua busca. São Paulo inspira e respira garra e guarda também os tesouros dos corações mais esquecidos. Histórias de personagens que se excluem - ou são excluídos - da corrida cotidiana de São Paulo pela eterna modernidade e enriquecem seu caminho com um outro tipo de olhar, diferente da corrida exclusiva pela grana, pela fama, pelo poder. Carregados pela sua própria alma, ilustram em poesias, em projetos, em arte, em fotografia, em resgates, as flores, as raízes, as nascentes e os vales da poderosa gigante de concreto.

Tesouros escondidos apenas a olhos que não se permitem olhar, pois estão em todas as suas esquinas, em todas as ruas, em todos os prédios. Provavelmente, em nossa pressa cotidiana, esbarremos em muitos deles diariamente. Mas, a única atenção que nos permitem, é um pedido de desculpas, um obrigado ou um xingamento. Ou ainda, o medo. Com os vidros cerrados e olhos no farol que não abriu, no ônibus que ainda não chegou, no horário a cumprir, corremos, esperamos... Pela oportunidade de contemplar tudo que está a nossa volta. O feio e o bonito, o bom e o mau, a guerra e a paz. Tudo isso refletido em tantos rostos, tantos gestos e tantas histórias que habitam também o mais profundo de cada um de nós.

Texto: Clarissa Olivares